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Combustíveis Sustentáveis para a Aviação

publicado 06/12/2019 11h24, última modificação 06/12/2019 11h47

A comunidade da aviação estabeleceu metas para reduzir as emissões de dióxido de carbono com o fim de crescer em uma base sustentável, e uma das principais frentes de atuação que garantirá este crescimento sustentável é o incentivo ao uso de combustíveis sustentáveis. Este uso terá que ser eficaz, eficiente e vantajoso do ponto de vista ambiental, social e econômico, e isso carrega consigo diversas variáveis a serem consideradas.

A primeira, e mais importante, é a segurança. O setor de aviação possui requisitos rigorosos para os combustíveis de aviação que vão além das propriedades listadas nas especificações. Juntamente com os requisitos bem reconhecidos do combustível – como a densidade de energia suficiente e a capacidade de permanecer líquido a temperaturas muito baixas, outros requisitos visam a compatibilidade com materiais e a fungibilidade (drop-in) com o combustível comum de aviação.

Os problemas de compatibilidade de materiais incluem compatibilidade com peças metálicas e não metálicas das aeronaves expostas ao combustível, a preocupação com o desgaste prematuro de motores e componentes do sistema de combustível das aeronaves, além da compatibilidade com a infraestrutura de estocagem e distribuição de combustíveis existente. A fungibilidade é necessária devido à natureza global da infraestrutura de abastecimento de aviação, às características dos sistemas de abastecimento de combustível nos aeroportos (que tendem a ter um único sistema de armazenamento e distribuição para todas as aeronaves) e devido ao alto custo e lentidão da renovação da frota de aeronaves.

Assim, a comunidade da aviação está focada em combustíveis alternativos “drop-in” ou fungíveis. Esses combustíveis alternativos são hidrocarbonetos puros (isto é, formados apenas por carbono e hidrogênio) e funcionam de maneira idêntica ao combustível de aviação derivado do petróleo, conforme determinado por critérios bem definidos nas especificações elaborados pelo comitê de normas da ASTM.

Pelo lado da sustentabilidade, há uma busca dos atores da aviação civil pela garantia de que os combustíveis alternativos ao derivado do petróleo que venham a ser usados na aviação tenham garantia de sustentabilidade. Isto significa que a quantidade de emissões de gases do efeito estufa decorrentes do processo de produção do combustível deve ser inferior àquela capturada pelo ciclo de vida do combustível, desde o plantio – no caso dos combustíveis vindos da produção agrícola – até o abastecimento do combustível nas aeronaves.

Desta forma, pode-se entender os dois principais conceitos e duas principais frentes de atuação: os combustíveis alternativos, que são aqueles produzidos a partir de processos e matérias primas não oriundas do petróleo, e os combustíveis sustentáveis, que são combustíveis alternativos que possuem um efeito de redução das emissões de gases do efeito estufa quando somadas todas as emissões do seu ciclo de vida e comparadas às do combustível de origem fóssil.

 

Fóruns de atuação

Existem duas frentes de atuação no tema de combustíveis sustentáveis de aviação: a certificação técnica do combustível, que busca garantir a segurança e a distribuição do combustível, e a certificação de sustentabilidade do combustível, que busca garantir um efeito positivo nas emissões.

Para a primeira certificação, o fórum que está à frente das discussões é o comitê D02 da ASTM International, que é o responsável pela especificação ASTM D1655, do combustível Jet-A1. O Órgão brasileiro que acompanha de perto estas discussões é a ANP (Agência Nacional de Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis. A ANP, por sua vez, incorpora as especificações de combustíveis alternativos de aviação para internalizar esta norma ASTM D1655.

Para a certificação de sustentabilidade, o fórum de discussão do qual a ANAC participa é o Comitê de Proteção Ambiental da Aviação (CAEP) da Organização de Aviação Civil Internacional (OACI). A estrutura e o funcionamento deste comitê estão explicados na página dedicada ao CAEP.

O CAEP possui diversos subgrupos, dentre eles o Fuels Task Group (FTG) é o responsável pelas discussões deste tema. O FTG foi instituído para dar continuidade aos trabalhos do Alternative Fuels Task Force (AFTF). O resultado destas discussões é avaliado pelo comitê, passa por um fluxo de aprovações na OACI, e é então incorporado ao Volume IV do Anexo 16 à Convenção de Chicago. Posteriormente, ele é incorporado à regulamentação da ANAC.

  

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